O crédito agrícola é um dos principais motores do agronegócio brasileiro e desempenha papel decisivo na sustentação de cadeias produtivas que movimentam bilhões todos os anos. No entanto, por trás da força do setor, existe uma engrenagem operacional complexa. Esse mecanismo é marcado por alto volume de documentos, múltiplos interlocutores, exigências cartorárias e processos que ainda carregam forte dependência de controles manuais.
É nesse contexto que a palestra “IA no Crédito Agrícola: como a tecnologia acelera o agronegócio”, apresentada pelo CEO da Docket, propõe uma reflexão de como transformar a operação de crédito por meio da IA aplicada a dados e documentos.
Apesar do avanço da digitalização no país, muitas operações de crédito rural ainda enfrentam gargalos estruturais. Processos descentralizados, controles realizados em planilhas, retrabalho entre áreas, dificuldade de visibilidade e demora na formalização de garantias impactam diretamente a produtividade. Em diversos casos, a análise manual de documentos como matrículas e certidões de penhor pode consumir horas de um analista experiente. Quando multiplicado pelo volume de operações, esse tempo se converte em atrasos na liberação de crédito, aumento de risco operacional e desgaste das equipes.
O que esperar do evento?
A proposta apresentada na palestra parte de um princípio, documentos não estruturados precisam deixar de ser gargalos e passar a ser ativos estratégicos. Com modelos de inteligência artificial treinados para ler, interpretar e analisar de mais de 200 tipos de documentos em questão de segundos. Tecnologias de OCR avançado, visão computacional e machine learning permitem que informações antes presas ao PDF se tornem dados estruturados, legíveis por máquina e imediatamente utilizáveis pelas áreas de crédito, jurídico e financeiro.
Do operacional ao estratégico: a nova jornada do crédito agrícola
Na prática, isso significa uma mudança concreta na produtividade. Uma leitura manual de 100 matrículas pode levar cerca de 10 horas e 40 minutos entre análise e extração de dados. Com processamento paralelo baseado em IA, o mesmo volume pode ser analisado em aproximadamente 25 minutos, representando uma redução de até 96% no tempo operacional. Além da velocidade, há ganhos relevantes em padronização, rastreabilidade e redução de inconsistências, fatores críticos em operações que exigem alto nível de governança.
Um dos pontos centrais da abordagem é o uso do modelo human-in-the-loop. A inteligência artificial realiza a leitura, classificação e extração, mas sinaliza exceções e incertezas para revisão humana. Com isso, o sistema aprende continuamente e evolui em precisão, enquanto especialistas mantêm o controle estratégico das decisões. A tecnologia não substitui o analista de crédito; ela redefine sua atuação, liberando tempo antes dedicado a tarefas repetitivas para análises mais profundas e estratégicas.
Quando documentos passam a ser transformados em dados estruturados, o impacto ultrapassa a eficiência operacional e alcança o campo da inteligência de negócio. Torna-se possível mapear padrões regionais de emissão de garantias, analisar concentração de credores, avaliar endividamento médio por estado e cruzar variáveis para decisões mais assertivas. Em vez de uma operação reativa, baseada apenas na conferência documental, o crédito passa a operar com base em dados consolidados e visão analítica ampliada.
A palestra também apresenta uma visão de futuro para a jornada do crédito agrícola, em que a triagem de documentos já acontece com apoio de IA no início da operação, a análise ocorre em minutos. Nesse cenário, áreas comerciais, jurídicas e financeiras atuam com visibilidade centralizada, agentes de IA apoiam na resolução de exigências e o financiamento do produtor ganha fluidez, segurança e escalabilidade.
Acelerar o agro é acelerar decisões
Em um ambiente de margens pressionadas, maior rigor regulatório e necessidade crescente de capital eficiente, acelerar o crédito significa acelerar decisões. E decisões mais rápidas, quando sustentadas por dados confiáveis e estruturados, tornam-se decisões mais estratégicas. A inteligência artificial aplicada ao crédito agrícola não é apenas uma inovação tecnológica, mas uma nova camada de infraestrutura para destravar produtividade, reduzir riscos e impulsionar o crescimento sustentável do agronegócio brasileiro.
No Conacredi Roadshow, essa discussão ganha uma visão prática, com objetivo de estruturar dados e acelerar operações fortalecendo todo o ecossistema do agro.