O agronegócio brasileiro entra em 2026 com grandes expectativas, mas também com sinais de alerta. Apesar de ter sido um dos principais responsáveis pelos bons resultados econômicos no ano anterior, o setor enfrentará um cenário mais complexo em 2026, com fatores macroeconômicos, climáticos e comerciais impactando diretamente a produção, a renda e a competitividade global. Esse conteúdo busca trazer perspectivas do agronegócio nesse ano, abordando os desafios e oportunidades para o setor.
Crescimento do PIB do Agronegócio em 2026: mais modesto, mas resiliente
Um dos principais indicadores para medir a saúde do setor é o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o crescimento projetado é de cerca de 1% em 2026, uma desaceleração significativa quando comparada aos quase 10% de expansão estimados para 2025.
Além disso, o Valor Bruto da Produção (VBP) deve alcançar cerca de R$ 1,57 trilhão, o que representa um crescimento de 5,1% frente ao ano anterior. Esse número mostra que, apesar das pressões, o setor ainda deve continuar crescendo ainda que de forma mais moderada.
Juros, Crédito e Endividamento: condições financeiras em 2026
Apesar dos resultados positivos de 2025, o cenário econômico para 2026 traz incertezas importantes. A taxa Selic permanece elevada, pressionando o custo do crédito para produtores rurais. Essa dinâmica torna a tomada de empréstimos mais cara e reduz o apetite por investimentos em tecnologia e expansão produtiva.
De fato, segundo dados da CNA, a inadimplência no crédito rural atingiu níveis recordes em 2025, o que pode limitar ainda mais a capacidade de investimento em 2026 e impactar a eficiência produtiva.
Clima e Produtividade: volatilidade e riscos ambientalmente ligados
Outro elemento que merece atenção é o impacto climático. A previsão para 2026 aponta para possíveis efeitos do fenômeno El Niño no segundo semestre, o que pode gerar variações de temperatura e chuva capazes de afetar a produtividade de culturas chave como soja e milho.
Esses riscos não são exclusivos do Brasil. Projeções globais indicam que mercados agrícolas enfrentam desafios de estagnação de preços, custos de insumos elevados e volatilidade nos mercados internacionais, fatores esses que podem reverberar aqui.

Cenário de Comércio Exterior: tensões e novos padrões
O comércio exterior continuará sendo um pilar do agronegócio, mas com pressões adicionais. Por um lado, o Brasil segue como um grande exportador global de commodities agrícolas; por outro, tensões comerciais e ajustes tarifários podem impactar a competitividade dos nossos produtos.
Nesse contexto, o setor precisa se preparar para um ambiente comercial mais fragmentado e competitivo. O ideal é explorar novos mercados e alternativas logísticas para maximizar receitas e reduzir riscos associados ao comércio internacional.
Inovação e Tecnologia: caminhos para ganhar competitividade
Apesar dos desafios econômicos e climáticos, 2026 também será um ano de oportunidades, especialmente para produtores e empresas que investirem em tecnologia e inovação. Tendências como agricultura de precisão, uso de dados e automação deverão ganhar destaque no setor. Dessa forma, a eficiência aumenta e é possível reduzir desperdícios e gerando ganhos sustentáveis de longo prazo.
Nesse sentido, políticas públicas e programas de apoio, como o Plano Safra, continuam sendo instrumentos importantes para alavancar o uso de tecnologias 4.0 no campo e ampliar a competitividade global quando falamos de perspectivas para o setor.
O que esperar do agronegócio em 2026
Em resumo, o agronegócio em 2026 tende a apresentar crescimento mais moderado, influenciado por fatores macroeconômicos, financeiras e climáticos, mas ainda resiliente graças à sua capacidade de adaptação e ao papel estratégico que desempenha na economia. O setor precisará focar em gestão de riscos, eficiência produtiva e inovação para superar desafios e aproveitar as oportunidades que surgirem no próximo ano.